• 18/04/2015// Por: Camila Pavani

    Assexuais britânicos se unem para discutir a vida sem sexo

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    David Jay, fundador da Rede Aven

    Você conhece alguma pessoa assexual? Pode parecer uma pergunta estranha. Até recentemente, isso provavelmente só provocava alguma lembrança das aulas de biologia do colégio. Mas, no Reino Unido, isso começou a mudar há cerca de 15 anos, quando um estudante chamado David Jay fundou a Rede para a Educação e a Visibilidade da Assexualidade (Asexuality Visibility and Education Network, em inglês), também conhecida como AVEN.

    David estava frustrado com a falta de informação de seus colegas do movimento LGBT sobre pessoas que não experimentam atração sexual. O que ele não esperava era quão rápido esse site cresceria, se tornando um centro online para pessoas como ele. Com a AVEN, uma comunidade de assexuais começou a se juntar; e, com o site, vieram jornalistas e acadêmicos, interessados em entender melhor o fenômeno.

    Pesquisas sugerem que você provavelmente já conhece pessoas assexuais, mesmo não sabendo. Estima-se que cerca de 1% da população britânica seja assexual, mesmo que (ainda) não se defina assim.

    O critério? Não sentir atração sexual por ninguém. Nunca.

    David disse em entrevista”Sou um sociólogo da Universidade de Warwick, na Inglaterra, e conduzi minha primeira pesquisa sobre assexualidade em 2009. Achei o trabalho fascinante e venho explorando questões relacionadas à assexualidade desde então. Minha pesquisa era voltada inicialmente à identidade assexual, investigando como alguém vem a se identificar como assexual, mas logo percebi que não podemos entender como a identidade “assexual” emergiu sem olhar para atitudes culturais mais amplas relacionadas ao sexo.

    Quando conduzi uma pesquisa estudando os pensamentos e sentimentos das pessoas assexuais, fiquei surpreso com a similaridade das experiências das quase 200 pessoas participantes do estudo. Elas eram muito diferentes entre si, mas estavam unidas por um sentimento de que algo estava fundamentalmente errado com elas por não experimentarem atração sexual. Elas se sentiam “estranhas”, “erradas” ou “fodidas” – frases que se repetiam com frequência.

    E, frequentemente, eram as pessoas genuinamente preocupadas com elas que as faziam se sentirem assim. Ben, que vive em Richmond, na Inglaterra, conta que seus pais riram dele quando ele disse que era assexual e que, ainda hoje, eles parecem não acreditar nisso.

    Em outros casos, as pessoas descreviam uma crueldade proposital. Uma participante da pesquisa disse que outros estudantes do seu dormitório da faculdade colocaram brinquedos eróticos em seu cereal matinal. Um homem, Vincent, afirmou que evita contar que é assexual para não ter de “aguentar as pessoas dizendo que estou errado, sou muito novo ou ainda não encontrei a pessoa certa”.

     

    Muitas pessoas veem a assexualidade como algo que precisa ser corrigido. Vincent acredita que parte disso vem da mídia. “A assexualidade é algo pessimamente representado na TV e nos filmes”, ele criticou. “A maioria das pessoas cita o Sheldon do seriado ‘The Big Bang Theory’ como primeiro exemplo, mas não considero esse personagem assexual. Na verdade, a maioria dos personagens ‘assexuais’ na TV tem algum tipo de distúrbio.”

    Às vezes, as pessoas agem de forma ofensiva, porque simplesmente não conseguem compreender como alguém pode ser assexual. Gareth, que vive no nordeste da Inglaterra, disse que, desde que se assumiu em 2011, só encontrou uma pessoa com conhecimento suficiente sobre o assunto para “não pensar que isso quer dizer alguém que pode se reproduzir espontaneamente ou incapaz de fazer sexo”. Ele acrescentou que “perguntas repetitivas sobre masturbação” são uma experiência comum quando ele tenta explicar sobre a assexualidade.

    Michael, de Coventry, explicou que, antes de se assumir, frequentemente se via “muito envergonhado quando os temas sexo ou relacionamentos surgiam numa conversa” por causa da “pergunta persistente de por que nunca tive um relacionamento e nunca mostrei interesse por sexo”. Ele tinha plena consciência das suposições que as pessoas estavam fazendo – de que ele era gay, confuso ou só não conseguia arrumar uma namorada –, o que o deixava ainda mais desconfortável com quem ele era.

    Mas os problemas enfrentados pelos assexuais têm mais a ver com invisibilidade do que com fobia. É doloroso sentir que a sociedade não acredita que pessoas como você existem. Ben – que acha “difícil” ter de se explicar o tempo todo – acha que o público, em geral, não tem muito conhecimento sobre assexualidade. “Isso parece estar se tornando mais mainstream, com mais gente dizendo que já ouviu o termo, mas geralmente nada muito além disso”, ele frisa.

    Encontrar pessoas assexuais pela primeira vez coloca em questão uma suposição básica que muitos têm: a de que todo mundo experimenta atração sexual. Na verdade, muitos nem percebem que isso é uma suposição: as provas de um comportamento contrário parecem absolutamente incompreensíveis.

     

     

    Vi no Opera Mundi, para ler a matéria completa com as entrevistas clique aqui.

     


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Taty Ferreira

Blogueira

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Olar bandiputo!!!

Natural de Araxá/MG, tem 30 anos, é blogueira, youtuber, empresária, escritora, modelo, atriz e mentirosa. Produz conteúdo para a internet desde 2009 e ama o fato de poder trabalhar usando pijama. Tem uma missão de que é lembrar as mulheres de depilarem seus bigodes. Você, mulher, já depilou seu bigode essa semana?