• 12/01/2016// Por: Camila Pavani

    “Querem que transe como se fosse morrer”: sobre a violência na indústria pornô

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    As acusações de estupro feitas contra James Deen, um dos maiores astros da indústria pornográfica, geraram uma série de debates sobre o gênero, principalmente pela denúncia ter surgido de outra estrela do segmento, Stoya, ex-namorada do ator.

    Um artigo publicado na editoria Broadly, parte da revista Vice, coletou diversos depoimentos de profissionais da indústria pornográfica para debater o tema e chegar à seguinte conclusão: é necessário se discutir o sexo com consentimento nos filmes pornôs. Parte das produtoras chegou a criar contratos pré-gravação para combinar as cenas e evitar novos casos como estes.

    Após a denúncia de Stoya e de várias outras atrizes, Deen foi afastado das principais produtoras onde atuava, e o caso se tornou o estopim para novos questionamentos. Outras acusações surgiram, como da atriz Nicki Blue, que também disse ter sido estuprada por Deen, e de Lily LaBeau, que afirmou que o ator ignorou todo o roteiro estabelecido para uma gravação de um filme de dominação. Na ocasião, ele chegou a dar um soco em Lily, deslocando sua mandíbula.

    Antes dos casos surgirem, a produtora do próprio James Deen havia apoiado a causa do sexo consentido do site projectconsent.com.

     

    Dificuldade em denunciar
    O artigo aponta que a indústria pornográfica cria um ambiente que dificulta as denúncias de abuso.

    Além de não haver um aparato das autoridades nestes casos, há o medo do mercado rejeitar os profissionais. “Se a indústria quer algo mais seguro, deve parar de premiar aqueles que causam problemas e criminosos. Quando um ator mostra sadismo genuíno e falta de cuidado com o próximo e são pagos, isso mostra que eles devem continuar trabalhando dessa maneira”, afirmou Chad Alva.

    O ator explica que combinar as cenas e fazer acordos antes da gravação seria um bom começo para evitar esses problemas. “Mas o pornô é uma forma de entretenimento muito agressiva. Eles querem apenas os p*** mais duros e pessoas que transem como se fossem morrer amanhã”, explicou.

     

    Acordos
    O site Wasteland.com, especializado em filmes sadomasoquistas, foi um dos primeiros a fazer um manual sobre práticas no set de gravação após as acusações de Stoya.

    O documento tem regras que determinam que os atores precisam negociar e concordar com as cenas que serão gravadas um dia antes da gravação. Todos têm o direito de dizer “não” para algum item especifico mesmo quando já havia concordado em fazê-lo. O guia possui três páginas e deve ser assinado por todos os atores.

     

    Sexo por trás das câmeras
    “Sexo oral é quase como um cumprimento”, disse Seymore Butts, que trabalha na indústria há 20 anos. Segundo ele, o sexo por trás das câmeras se tornou algo comum e o atores acabam sendo pegos de surpresa quando estes limites não são estabelecidos. “Atores são exigidos a fazerem coisas que não foram acordadas antes. Sexo é algo regular nas festas”.

    “As mulheres precisam fazer favores sexuais para agentes, diretores, empresários, jurados e críticos”, explicou Butts.

     

    E a mídia?
    “O público não faz ideia do que acontece. Pornografia devia ser tratada como qualquer outro gênero de entretenimento. Há profissionais e amadores. Não é a mesma coisa. Nem todas as companhias trabalham da mesma forma”, explicou Tasha Reign, que faz filmes para sua própria produtora, que criticou a falta de esclarecimento na mídia sobre o assunto.

    “Parte disso acontece por falta de informação. Nos filmes, eu interpreto uma garota que gosta de transar com todos. Isso é uma personagem que faço. Não quer dizer que sou assim”, explicou.

    A atriz lamenta que casos tão escandalosos, como o de Deen e Stoya, tenham que ter surgido para o debate ganhar força.

    “É muito ruim que algo tão grande tenha acontecido para podermos falar como classe trabalhadora. Eles são muito grandes na indústria e isso pode fazer as pessoas entenderem que precisamos de proteção. E nós não temos isso ainda”, finalizou.

     

    Reportagem do Vírgula


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Taty Ferreira

Blogueira

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Olar bandiputo!!!

Natural de Araxá/MG, tem 30 anos, é blogueira, youtuber, empresária, escritora, modelo, atriz e mentirosa. Produz conteúdo para a internet desde 2009 e ama o fato de poder trabalhar usando pijama. Tem uma missão de que é lembrar as mulheres de depilarem seus bigodes. Você, mulher, já depilou seu bigode essa semana?